Achei linda esse carta, muito profunda e trouxe para vocês!!!

É duro, é triste, é foda. Mas às vezes tomamos decisões que contrariam totalmente nosso coração porque sabemos que se as coisas continuarem como estão, os dois lados vão sofrer. “Escolhas são únicas”, e devemos respeitá-las. E dar um “fim” pode ser uma bela prova de amor. Aconteceu comigo, acontece com muita gente, de terminar um relacionamento sem que ele tenha terminado de fato. Ele continua dentro de cada um enquanto o amor não se vai. E se ele nunca se for? É porque não era mesmo pra ter ido, a história não acabou, só saberemos no final. E, quem sabe, esse final pode ser um recomeço? Esse post é em homenagem àqueles que guardam um amor no coração sem poder expressá-lo em um beijo. Praqueles que sabem que por mais que o casal não possa ser visto por aí, ele ainda vive dentro de nós.
De todos os fantasmas que me assombram, aquele que mais me assusta é o O Que Poderia Ter Sido. Não que eu sofra meus mortos, eu acabo sabendo levar a vida sem eles. Sem você, sem nós, sem aquele papo de amor infinito. Não que eu sofra por isso, e sei que você também não sofre, porque somos gêmeos na leveza. Mas é que às vezes uma saudade escapa do meu controle (agora é a hora em que você diz: não, ela não mudou nada, acha que ainda pode ter o controle) (agora é a hora que eu tento adivinhar o que você diria a respeito do que estou escrevendo se você me lesse com o raciocínio, mas estou errando, porque sei que me lê com o coração e o coração não faz comentários tão ridículos como este que eu inventei que adivinhei – sim, querido, continuo inventando o que as pessoas pensam a meu respeito, só pra achar – tola – que eu tenho o controle sobre a minha imagem).
O que mais me incomoda é essa coisa de parecer proibido te amar. O tempo passou, outras pessoas entraram em nossas vidas, e eu já não me sinto mais no direito nem mesmo de pensar em você. Mas que posso fazer se continuo não só pensando, mas também sentindo? Eu, que tanto prego a honestidade, não como uma obrigação moral, mas como a forma mais verdadeira de liberdade. Tenho sido tão desonesta ao te esconder de mim e dos outros, fingindo que te esqueci. De repente você virou meu segredo. Como se pensar em você fizesse de mim uma pessoa que tem uma vida dupla. De repente, eu não sou mais livre, porque não consigo te tirar de mim, embora eu aparentemente tenha conseguido. Ledo engano.
Não é uma reclamação, é apenas um desabafo. Sei inclusive que o que escrevo é tão secreto que chega a ser inútil escrever – mas você me conhece, sou teimosa. E, no fim das contas, ao que é inútil para os fatos ainda resta uma saída: a literatura. Sei que você não vai chegar a ler, porque eu não quero que leia. Não quero, porque se você chegar a ler, isso significaria que a porta ainda está aberta e que eu ainda olho pra trás, mesmo tendo outra vida pela frente. E não quero que saiba disso. Gostaria, eu mesma, de não me conhecer tão bem. Assim não me lembraria de você, sentiria apenas um mal-estar que não saberia explicar de onde vem. Ou teria sonhos com você, dos quais nunca me lembraria, e não seria importunada por essa lucidez violenta que me põe a escrever sobre um amor que supostamente matei, que supostamente deveria estar morto.
Não está.
Vi no Tramadopormulheres
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